No meu caderno há marca
De vida, de sangue, de luta, de vinho
Queimo as páginas
Com meus cigarros sem fim
Queimo meus olhos pra cegar
pra parar de ver toda essa sujeira entrar
No meu caderno, agora
Há o suor que caiu com a lágrima
Depois de mais um dia de nada.
Nessa inércia eterna te encontro e te perco
Neste quarto vazio e sem graça te beijo.
Minha escrita é transversal e incorreta
Mas não me corrija.
Além da afirmação de qualquer tragédia
Está uma breve vida.
É no desconhecido, nas linhas em branco desse caderno
Que se faz a escrita do eterno
Sem temer a dor, sem fugir da morte
Se chorar e se sofrer, se sangrar se doer
Quem pode descrever os desconhecidos dos cadernos dessas
almas?
Deixar ser!

