domingo, 5 de abril de 2015

No meu caderno há marca
De vida, de sangue, de luta, de vinho
Queimo as páginas
Com meus cigarros sem fim
Queimo meus olhos pra cegar
pra parar de ver toda essa sujeira entrar
No meu caderno, agora
Há o suor que caiu com a lágrima
Depois de mais um dia de nada.

Nessa inércia eterna te encontro e te perco
Neste quarto vazio e sem graça te beijo.

Minha escrita é transversal e incorreta
Mas não me corrija.
Além da afirmação de qualquer tragédia
Está uma breve vida.
É no desconhecido, nas linhas em branco desse caderno
Que se faz a escrita do eterno
Sem temer a dor, sem fugir da morte
Se chorar e se sofrer, se sangrar se doer
Quem pode descrever os desconhecidos dos cadernos dessas almas?

Deixar ser!


O ar denso.   O tempo lento.   O apartamento.   Aperto.   Nunca perto.   Sempre perco.   Continuo. Parada.   Sentada.   Com a boca cheia de coisas não ditas.   Com o peito cheio de amores impossíveis.   Com os olhos cheios de lágrimas que não caem.   Que não saem.   Mais um dia. 





















São as horas perdidas
Que voltam sem dizer
Confundem presente e memórias
Dores
Que não sabemos se estão aqui
Ou se são resquícios
Ou sintomas.
Hematomas.
A pancada foi forte
A queda não tem fim
Assim como o tempo
Outro dia começa
Ou o mesmo dia
Na mesma vida
Que dia é hoje, afinal?
Que horas são?
Abro novas guias
Vejo novas notícias velhas
Tudo acontece de novo
Tudo acontece do mesmo
Horas, dias, meses, anos
E a lembrança de tudo que passamos.
     Se teu coração falasse, amor
     A voz dele chegaria até aqui?

     Ultrapassaria a grande distancia da saudade?

     Mas talvez a saudade não seja exatamente distancia
     E sim proximidade sem presença.

     Ou uma ausência presente, ou presença ausente.

     Talvez seja instante
     E passa –e fica-
     Pacifica.
     E em meio a guerra
     Que é lembrar
     Você então volta
     Mas vê se fica, amor.

     Dessa vez, só fica!