sexta-feira, 25 de julho de 2014


Outro dia olhei pras nuvens
Lembrei aquele dia
Você de costas pra lua
as duas brilhando com perfeição

Ressurreição!

Uma nova vida
Diante de meus olhos, tua beleza
Tua pele
Limpa
Linda

Perfeição!

A vida começando novamente,
Ou pela primeira vez.
Talvez,
Quem sabe ela queira
Quem sabe ela não sabe ainda
Se quer, o que quer, quem é, o que é
A dúvida
Que pode levar ao ato
ao ato, de fato.
A execução

Mas vem,
experimenta!
Tira um gosto daqui e tenta
é tanta coisa
coisas que nos levam
nos deixam leves
coisas.
E a rua, aquele dia, era carnaval
mas ninguém passou durante nosso beijo
tua pele ficou fria
magia.
Coisa nenhuma passava por ali
mas tudo passava por nós
Em um segundo
o mundo
girando
virando
entortando
O que era aquilo?
O que eu fiz, amor?
O que você fez?
...
Mas quem liga?

A vida é tão curta e tão linda. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

domingo, 6 de julho de 2014

Seguro em si

Palavras à toa em tolas bocas
Dizendo saber o que se diz

“12 passos para ser feliz”

Emagreça, seja saudável

Não fume!

Não foda!

Não morra!

Tome cuidado!

Discurso repetido
Repetido, repetido, repetido...
Sou mais culto por ter lido...
E repetido
Repetido
Repetido (...)

Que doce ilusão
Da lacuna que preenchem as palavras
Dos conceitos, meu irmão

Que você usa como se fosse chão! 


                                                          Fotografia: Alex Schaefer


Ele nunca teve coragem de partir
Ficou em sua porta
Olhando pelo outro lado da rua
E cada cigarro que ela fumou
Queimou no pulmão dele

Como o último.

Eu o ouço todas as noites
Abaixado, sozinho, gemendo
Batendo os dentes
Congelando de solidão.

Ele é somente uma ilha de feridas abertas
Ele mesmo se cutuca, não permite cicatriza-las
Mas às vezes penso que ele não tem escolha.
Pois ele sabe o gosto
Pois ele sabe a dor...

Eu posso ouvir suas escamas esfregando no chão
E pedaços dos seus ossos roçando nos vidros caídos
Gotas de sangue como campainhas incessantes em meus ouvidos,
Ninguém na rua dorme.

Deixe-o morrer,
Só por piedade


Deixe-o morrer congelado. 

No cantinho esquerdo da janela
A gata espreita esperta.

Será que me espera? 

            Pode inundar travesseiros
                        Esvaziar copos
                            Ou se esvaziar.
                                Nada vai mudar
                                    O drama vai passar



... vida vai continuar...

Transform-a-dor!

O Despert-a-dor toca perturbando a manhã 

O Amor-tece-dor não deixa o corpo bater no chão

Enquanto o Aquece-dor transforma frio em paixão!





Neblina cega meus olhos
Não vejo além dos limites
Do contorno desonesto
Da linha que nos separa.

Mas separa quem de onde?
Separa quem do que?

Olhe pra lá
Se você não vê, amor
Onde termina esse caminho
Pode ser um sinal...

...Pode ser um sinal.