sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

















De repente soou sua voz
Eu acordei, mas não lembrei o que estava sonhando
Seus olhos... Devem ser seus olhos
Que cortam todos os ruídos
Que silenciam as interferências
Que não cortam ou medem distancia
Viram caminho reto, mas nunca curto
Do teu mundo ao meu. 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014



O teu corpo é um manto de seda
                                              Posso notar pela maciez da sua voz.
                                                Só o teu olhar, teu olhar não é
                                                            Ele é diamante
                                                               ou dinamite! 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

                                                            Imagem: Leslie Lohman



Não precisa fugir sem mim.

Podemos ser fogo
Queimar as pontes do caminho

Podemos ser lágrimas
Fugir da terra junto ao mar;

Nos perder
Nos amar.

Esquecer.
Recriar.

Podemos ser luz
Correr pelo universo sem parar

Podemos ser hoje
E acabar!

Podemos ser ar
E suspirar,

Podemos ser sexo
E gozar

Podemos ser barcos
Navegar – ou naufragar.

Podemos ser morte
E descansar.

Podemos ser tudo

Nada! 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014






Eu te encontrei e te perdi

Em um simples intervalo de partir.

Mas eu nunca tive nada, nada foi meu


Nada perdi. 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014















Você diz que sou muito intensa
Como se viver de verdade fosse um defeito
Talvez nesse mundo duro
Viver sem armadura
Seja mesmo inesperado.

Mas amor... não gosto de sopa fria
Não gosto de vida morna
Não gosto de amores meio vividos
Nem de pão meio comido
Nem de sexo meio fodido.

Se quiser tem que ser inteiro
Não vou te dar pela metade
Se quiser viver um pouco menos
Procure outros amores...
Há nesse mundo (até demais)
Gente que quer viver de aparências
Que quer se doar – mas só um pouco
Que vai querer ser seu – mas só um pouco.
Não quero um pouco, quero seu corpo

Sua alma, seu coração, mas quero TODO. 

domingo, 19 de outubro de 2014

Amar ou Ao Mar



Onda, venha molhar meus pés
E quando partir leva toda essa dor
Leva embora esse amor.

Amor é dos antigos
Careta, clichê, piegas
Hoje nada é feito pra durar
Nem os amores, nem as dores
Nem os eletrodomésticos.

Leve embora pra eu poder continuar
Deixa eu caminhar com meus próprios pés
Sem levar nesses ombros magros
O peso de mil amores guardados
De nenhum que escolheu ficar.

Me deixa caminhar
Só com o peso do meu corpo
Com a leveza
Com a calma
De um viajante
Ou de um artista. 

sábado, 18 de outubro de 2014

Meu corpo tem fome
Só da sua massa
Só do seu pão
Meu corpo tem sede
Sedento por ti
Pelo que não bebi
Meu corpo pede
Chama!
Grita!
Fome maldita
Eu nunca comi
Meu corpo vazio
Meu copo vazio
Enche do teu vinho
No seco e no oco
Da minha alma vazia
Vivo na fantasia
Do que nunca vivi
No teu corpo 
de massa infinita
De carne bonita
De gosto de vida.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Nunca é você
Nunca foi
Talvez nunca seja
E de todas as coisas
Importantes ou não
Dolorosas ou lindas
Nunca é você
E se eu olhar
Por acaso
Pro meu lado
E alguém sorrir
Não, não é você
O escuro daquela rua
O sol tímido e escondido
Ou a neblina
Até mesmo o frio que fica
Não, amor
Nada é você!
O telefone toca
Uma nova mensagem
Uma solicitação de amizade
Uma amizade antiga
Uma nova vida
Não, amor
Novamente
Nada é
Nada será
Nunca mais
Se você não voltar. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014


Fotografia: Kyle Thompson

Desejo então e tão somente
O que não sei dizer
Seja amor ou prazer
Seja eterno... ou não!
Desejo, então
Tudo-Nada
Nada que tenhas,
Não me complete,
Não afirme o desejo pela falta.
Confesso

Perplexo

Que amo às vezes


Confesso

Perplexo

Que tenho pensado em você ...

Passam os pássaros
Ouço passos de pessoas
Com pressa
Com fome, 
com sede, 
Pressão!
Passam para partir
Não se sabe para onde
Não se sabe como ir. 

sexta-feira, 25 de julho de 2014


Outro dia olhei pras nuvens
Lembrei aquele dia
Você de costas pra lua
as duas brilhando com perfeição

Ressurreição!

Uma nova vida
Diante de meus olhos, tua beleza
Tua pele
Limpa
Linda

Perfeição!

A vida começando novamente,
Ou pela primeira vez.
Talvez,
Quem sabe ela queira
Quem sabe ela não sabe ainda
Se quer, o que quer, quem é, o que é
A dúvida
Que pode levar ao ato
ao ato, de fato.
A execução

Mas vem,
experimenta!
Tira um gosto daqui e tenta
é tanta coisa
coisas que nos levam
nos deixam leves
coisas.
E a rua, aquele dia, era carnaval
mas ninguém passou durante nosso beijo
tua pele ficou fria
magia.
Coisa nenhuma passava por ali
mas tudo passava por nós
Em um segundo
o mundo
girando
virando
entortando
O que era aquilo?
O que eu fiz, amor?
O que você fez?
...
Mas quem liga?

A vida é tão curta e tão linda. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

domingo, 6 de julho de 2014

Seguro em si

Palavras à toa em tolas bocas
Dizendo saber o que se diz

“12 passos para ser feliz”

Emagreça, seja saudável

Não fume!

Não foda!

Não morra!

Tome cuidado!

Discurso repetido
Repetido, repetido, repetido...
Sou mais culto por ter lido...
E repetido
Repetido
Repetido (...)

Que doce ilusão
Da lacuna que preenchem as palavras
Dos conceitos, meu irmão

Que você usa como se fosse chão! 


                                                          Fotografia: Alex Schaefer


Ele nunca teve coragem de partir
Ficou em sua porta
Olhando pelo outro lado da rua
E cada cigarro que ela fumou
Queimou no pulmão dele

Como o último.

Eu o ouço todas as noites
Abaixado, sozinho, gemendo
Batendo os dentes
Congelando de solidão.

Ele é somente uma ilha de feridas abertas
Ele mesmo se cutuca, não permite cicatriza-las
Mas às vezes penso que ele não tem escolha.
Pois ele sabe o gosto
Pois ele sabe a dor...

Eu posso ouvir suas escamas esfregando no chão
E pedaços dos seus ossos roçando nos vidros caídos
Gotas de sangue como campainhas incessantes em meus ouvidos,
Ninguém na rua dorme.

Deixe-o morrer,
Só por piedade


Deixe-o morrer congelado. 

No cantinho esquerdo da janela
A gata espreita esperta.

Será que me espera? 

            Pode inundar travesseiros
                        Esvaziar copos
                            Ou se esvaziar.
                                Nada vai mudar
                                    O drama vai passar



... vida vai continuar...

Transform-a-dor!

O Despert-a-dor toca perturbando a manhã 

O Amor-tece-dor não deixa o corpo bater no chão

Enquanto o Aquece-dor transforma frio em paixão!





Neblina cega meus olhos
Não vejo além dos limites
Do contorno desonesto
Da linha que nos separa.

Mas separa quem de onde?
Separa quem do que?

Olhe pra lá
Se você não vê, amor
Onde termina esse caminho
Pode ser um sinal...

...Pode ser um sinal.

domingo, 15 de junho de 2014


Fotografia: Kyle Thompson




Encontro meu eixo

Dentro de ti me deixo

(me deito)

Fora de ti eu fico louco

(viro outro)


Fico fora de si!

Uma Atriz

"Não me diga que eu amo a mim
Mais do que amo você, meu bem
Mas de fato as paixões são pra si mesmas
Não são pra mais ninguém (...)"

Música: Uma Atriz - A Banda Mais Bonita da Cidade

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Vai e Volta

Linhas

Curvas

Traços

Ruas

Rugas

Pés

Chinelos

Rodas

Dedos

Tênis

Bolsas

Blusas

Saias

Saltos

Altos

Baixos

Magros

Belos

Feios

Fotos

Fatos

Fica

Vai

Mora

Morre

Vive

Veja

Volte

Venha

Fique

More


Morra!
                                                           Fotografia: Kyle Thompson


É imaginária essa linha que nos afasta dos sentidos?
Que nos anestesia, que nos apaga da vida...
É preciso voltar a tocar direto nas coisas
Esquecer um pouco as causas e as contas 

Homem, vá pra fora.
Respira! Ou se afoga.

SAIA!

EMERJA!

GOZA!

GRITA!

PUTA!

VIDA!

ROMPA!

QUEBRE!


Essa linha imaginária que te prende. 
Não me leve a mal, meu bem.

Leve-me a loucura! 

Então veremos quanto tempo ainda dura

Esse bom senso que me faz refém. 


Para proteger teu corpo
Da noite fria
Cobrir-te-ia com o manto
De uma rainha.

Que fosse o céu iluminando
Teu corpo belo
A lua e as estrelas
Pintando amarelo.

E no amarelo do sol
Ao amanhecer do dia
Aos poucos te tiraria
Cada estrela do manto
E quando o dia enfim surgisse
Tiraria a lua,
Pra encontrar tua pele branca

Sozinha e nua.