Fotografia: Alex Schaefer
Ele nunca teve coragem de partir
Ficou em sua porta
Olhando pelo outro lado da rua
E cada cigarro que ela fumou
Queimou no pulmão dele
Como o último.
Eu o ouço todas as noites
Abaixado, sozinho, gemendo
Batendo os dentes
Congelando de solidão.
Ele é somente uma ilha de feridas abertas
Ele mesmo se cutuca, não permite cicatriza-las
Mas às vezes penso que ele não tem escolha.
Pois ele sabe o gosto
Pois ele sabe a dor...
Eu posso ouvir suas escamas esfregando no chão
E pedaços dos seus ossos roçando nos vidros caídos
Gotas de sangue como campainhas incessantes em meus ouvidos,
Ninguém na rua dorme.
Deixe-o morrer,
Só por piedade
Deixe-o morrer congelado.

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