quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Desencontros Naturais

De todos os apelos
o calmo de uma tarde chuvosa
me sorriu.

Com seu sorriso cinza
de tempestade
fim dos tempos.

Luzes piscaram nas ruas
tentando me confortar
sobre a sua ida (que gentil).
As luzes formavam borrões,
refletiam na maça do meu rosto
na lágrima que escorria.

Fechava os olhos pra sentir teu cheiro.

Loucura maior é saber o que podemos
se estivermos juntos
e o que sentimos
como isso tudo é maior que todos.

Peito aberto
teu mar entra
destrói
ressaca que dói.
Não quero mais ser graduado
nesse sofrimento amargo.

Então onde reencontro tuas ilhas que se movem em silêncio?

Todos os e-mails que recebi:
Não é você! @naotemseunome.com
Todos os alertas, o celular vibrando, o (3) no cantinho da tela
Não é você, não é você, não é você.

Leio as cartas
jogo moedas
me sinto perdida

tento achar um guia
para andar de mãos dadas
(ninguém)

não vejo nada.

Paro de escrever pra ver quem chama
e não é você.

Cansei dos vícios
dos que não são você.
Mas o que quer de mim
é muito maior do que tudo que posso.

Fecho os olhos
porque a luz... a luz...
cega demais
cega demais meus corpos.

Escrevo pra entender
ou pra dar sentido à dor

E falando na iluminação que me cega
penso em como ela é importante
para que escapemos da atual situação:

Luz VERSUS escuridão.
Amor VERSUS traição.

Desencontros Naturais.

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